Como o México está se tornando a capital do drone na América Latina

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O mercado de drones está em alta no México. A falta de normas aeroespaciais rígidas, combinadas a uma crescente indústria manufatureira aeroespacial pode transformar o país na capital do drone da América Latina.

Recentemente, o México abriu a primeira academia de pilotagem de drones na região e agora espera se tornar um competidor global nessa promissora indústria.

“Nós vimos uma onda de consumidores comprando drones, mas que não sabia como operá-los”, disse José Luis Gonzalez, diretor da Drone Academy do México e CEO da Unmanned Systems Technology.

Então, ele abriu uma academia de drones na Cidade do México e começou a oferecer um curso de 9 horas de duração. Ele já graduou 50 pilotos em menos de um ano. Em parte, essa é a razão pela qual o México está se tornando rapidamente um campo de testes ideal para o desenvolvimento de drones, diz Gonzalez.

“O México tem baixos custos de produção e há mão de obra qualificada que pode transformar a nação em protagonista na indústria dos drones”, disse ele. “Há um grande espírito empreendedor aqui.”

Foto 1 - Drone Academy: A primeira academia de drones da América Latina
Foto 1 – Drone Academy: A primeira academia de drones da América Latina

Gonzalez não é o único que está desenvolvendo o mercado mexicano. Uma empresa local conhecida como Unmanned Systems Technology International lançou um drone conhecido como MX-1, que está sendo comercializado como “uma aeronave com orgulho mexicano apoiado por milhares de horas de conceituação, design, prototipagem e testes de voo”, de acordo com seu website. Supõe-se que o drone MX-1 pode voar por até sete horas consecutivas e alcançar uma velocidade de cruzeiro de 68 mph. Outras empresas, como a 3D Robotics também estão fabricando drones no país.

Foto 2 – O modelo MX-1 via http://www.usti.mx/

O país também está desenvolvendo novos usos para drones: da proteção de espécies animais ameaçadas até a melhoria das práticas agrícolas e prevenção de incêndios florestais. Além disso, no início deste mês um grupo de pesquisadores anunciou que irá usar fotografias feitas por drones para aprimorar técnicas de cultivo da terra e de fertilização.

Estima-se, ainda, que o governo mexicano está usando drones para monitorar as zonas atingidas pela criminalidade, desenvolver operações navais e monitorar alguns dos oleodutos de propriedade estatal do país. Por outro lado, também houve inovação pelo mundo do crime: aparentemente, alguns traficantes também estão usando a tecnologia para contrabandear drogas através da fronteira EUA-México.

Foto 3 - Um drone transportando metanfetamina caiu em um estacionamento em Tijuana no mês de janeiro de 2014 / via SSP Tijuana.
Foto 3 – Um drone transportando metanfetamina caiu em um estacionamento em Tijuana no mês de janeiro de 2014 / via SSP Tijuana.

No geral, o México tem abraçado a tecnologia de drones mais rápido do que outros países da região. Em maio, muitos chilangos se reuniram para a primeira “expo drone” da Cidade do México para aprender sobre o desenvolvimento e a utilização dos chamados drones multirotores.

O governo compartilha o entusiasmo do público. Em março passado, o Serviço de Navegação Aeroespacial do México encomendou um vídeo filmado por um drone sobrevoado o aeroporto da Cidade do México. “O resultado foi maravilhoso. Temos recebido muitos elogios”, disse o  controlador de tráfego aéreo Alejandro Ruiz de la Fuente disse ao Washington Post. “Nós sabemos que nos Estados Unidos não é permitido.”

Enquanto os drones têm uma conotação militar cada vez maior nos EUA, no México e em muitas partes da América Latina eles são majoritariamente vistos como um artigo de diversão. Sua utilidade também é considerada relevante e ele costuma ser usado até mesmo para ferramentas educacionais.

Suspeita-se que no Peru os drones já estariam sendo usados para monitorar sítios arqueológicos, enquanto no Chile algumas universidades começaram a oferecer cursos de pilotagem. Já o Brasil está usando drones para ajudar a proteger a Amazônia.

Mas essa “diversão” também está criando novos problemas. O governo da Argentina voltou a atenção recentemente para a proteção da privacidade das pessoas regulando a utilização de drones para evitar fotografias espontâneas não autorizadas e vídeos filmados de cima.

Já os EUA podem estragar um pouco da diversão se continuarem militarizando o uso de drones na América Latina. O SOUTHCOM (United States Southern Command) já implantou drones desarmados em exercícios e missões militares conjuntas na América do Sul e Central. A guerra contra as drogas também parece estar levando a América Latina a acelerar o uso de drones de fabricação israelenses e americanas contra os traficantes.

“Em relação aos veículos aéreos não tripulados (VANTs), é difícil prever em quanto tempo serão empregados para combater a criminalidade transnacional organizada na área de de responsabilidade a longo prazo da SOUTHCOM “, disse o porta-voz da Southern, Comandante Jose Ruiz.

Ruiz disse que o SOUTHCOM tem “sido capaz de empregar periodicamente” um modelo conhecido como o RQ-4 Global Hawk, mas não oferecem detalhes sobre a missão.

“A segurança operacional nos impede de discutir detalhes, mas quando utilizado pelo SOUTHCOM para apoiar operações de detecção e monitorização, o RQ-4 está configurado com recursos não-letais e de vigilância, garantindo que missões que incluem o espaço aéreo  de uma nação parceira sejam estreitamente coordenadas com o governo do país anfitrião através da embaixada dos Estados Unidos antes de ser aprovada e programada.”

Alejandro Sanchez, especialista em drones no Conselho de Assuntos Hemisféricos (COHA), contou que houve ocasiões de drones americanos desarmados entrarem no espaço aéreo mexicano. “Um drone americano ajudou a triangular a rede celulares do traficante Joaquin ‘El Chapo” Guzman, localizando o seu paradeiro para as autoridades mexicanas”, disse ele.

Até agora, não há conhecimento sobre nenhum drone dos EUA que tenha sobrevoado o espaço aéreo da América Latina que tenha se “transformado” em arma, mas especialistas dizem que pode ser apenas uma questão de tempo antes que haja drones armados circulando na região.

Sanchez diz que com base na experiência dos Estados Unidos, os militares latino-americanos estão percebendo que os drones podem mudar o curso da guerra. Ele acha que a falta de conhecimento tecnológico pode ser a única restrição que impede países latino-americanos de desenvolver seus próprios drones. “Acho que as forças de segurança na América Latina veem os drones favoravelmente”, disse ele.

Os EUA aprovou recentemente uma legislação que permite a venda de drones armados para nações aliadas. E Sanchez acredita que o México e a Colômbia poderiam ser os primeiros países da fila para comprá-los.

Israel também é um jogador importante na indústria dos drones. Um relatório de 2014 elaborado pelo COHA diz que o país é o principal fornecedor de drones para a América Latina, vendendo aproximadamente $ 500 milhões dessa tecnologia para clientes da América Latina entre 2005 e 2012.

Por enquanto, o mercado de drones da América Latina continua a ser desarmado e principalmente, não regulamentado.

“Eu acho que no México e na maior parte da América Latina são vistos como brinquedos”, disse Sanchez. “Mas haverá um momento em que nós vamos ter que falar sobre as leis de privacidade, drones voando em aeroportos e áreas residenciais. Eles são dispositivos que podem ser usados pelas agências reputadas, mas também os criminosos. “

Fonte: Fusion

 

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