Mapeamento Aéreo com Drones em Projetos de Grande Porte

Tempo de leitura: 5 minutos

Conheça os desafios superados por uma empresa do setor

O mercado de mapeamento aéreo com drones cresce exponencialmente no Brasil devido principalmente à uma grande mudança no mercado. Antes era necessário um investimento muito alto para abrir uma empresa, na ordem de milhões, consequentemente os projetos também eram nessa ordem. Hoje com aproximadamente 30 mil reais é possível investir em uma infraestrutura mínima e executar pequenos projetos.

Acompanhando o mercado nós percebemos um problema com projetos de mapeamento aéreo de grande porte. Quando uma contratante abre um processo de concorrência para contratar este tipo de serviço geralmente ela recebe ofertas de empresas de diversos portes e experiência.

Isso gera um transtorno na hora de decidir qual contratar, já que os valores naturalmente são bem divergentes. Neste caso é importante que a contratante saiba da complexidade do projeto e o que esperar da contrata para garantir o cumprimento dos prazos e nível de qualidade.

Nós geramos um case com o objetivo de apresentar ao mercado este cenário: nós mapeamos uma mesma área de 600 ha utilizando um drone do tipo asas fixas (BATMAP 1) e um drone do tipo multirotor (Phantom 4).

Com os resultados ficou evidente que para áreas maiores um multirotor apresenta um nível de dificuldade maior na execução e processamento dos dados, degradando a qualidade final, você pode acessar este e-book aqui.

Nós conseguimos provar esta dificuldade através de um case onde temos um ambiente controlado, porém, na prática o cenário é sempre diferente A MAPEAR, nossa cliente e parceira, executou um projeto de mapeamento aéreo de grande porte em uma rodovia de 260 Km e vai apresentar os desafios encontrados em um projeto de grande porte.

No total foram 7800 hectares mapeados em trechos que variam entre planície, planalto e principalmente serra. Cenário que dificultou bastante o planejamento, pois foi preciso desenvolver um plano de voo e uma estratégia para cada situação.

Foram planejados e executados 340 pontos de apoio, como a área apresentava um relevo irregular, a metodologia para coleta dos pontos foi o pós processado.

Figura 1: Nuvem de pontos da estrada mapeada

Para atender o prazo do cliente, o diferencial em campo foi utilizar o BATMAP 1, um drone de asa fixa e com 01h30 de autonomia. Quando o tempo estava favorável foi possível realizar até 5 voos em um mesmo dia, apesar dos fortes ventos o equipamento se mostrou estável e não apresentou problemas de distorções na captura das imagens.

Foram 60 dias de trabalho intenso, contados desde o primeiro dia em campo até a entrega dos produtos finais para o cliente. No decorrer do projeto, o processamento das imagens também foi um desafio. Primeiro, porque eram muitas informações o que demandou uma logística inteligente e alto tempo de processamento de dados, além da necessidade de um critério rigoroso na avaliação da qualidade em todas as etapas do projeto e principalmente dos produtos gerados.

Como em alguns trechos de acostamento havia mata e também por se tratar de um mapeamento de corredor, um dos mapeamentos mais complexos, foi preciso um olhar mais especializado para garantir que a precisão e qualidade iam ser alcançados.

Nesse tipo de mapeamento é comum que algum ponto interfira na geração das curvas de nível e acaba modificando a superfície do terreno, outro problema comum de acontecer é o efeito de degrau no mosaico (quando dois voos processados não se encaixam).

“O grande diferencial neste projeto foi a equipe, que contou com profissionais qualificados e com grande experiência em mapeamento aéreo avaliando o produto, esse tipo de erro não passa despercebido, voltando para linha de produção para ser refeito. Muitas vezes essas falhas nem chegam a acontecer pois com a experiência é possível se antecipar no planejamento sendo possível eliminá-los antes mesmo do processamento, diz Silvia, Eng. Cartógrafa e responsável pelas operações do projeto.”

Figura 2: Mosaico de ortofoto de um trecho da rodovia mapeada.

Foi gerada toda a topografia da rodovia, incluindo nuvem de pontos, mosaico, modelo tridimensional de superfície e terreno e curvas de nível. A precisão final do projeto foi 5,34cm na planimetria e 6,06cm na altimetria, atendendo a Classe A para escala 1:1000 na PEC (Padrão de Exatidão Cartográfico).

Além da produtividade, outra vantagem em utilizar os drones no mapeamento aéreo, é que os produtos gerados podem ser manipulados dentro do AutoCad Civil 3D, não é preciso instalar um novo programa e nem parar a equipe para capacitação, isso fez com que os clientes rapidamente conseguissem utilizar os produtos para estudar e projetar o melhor traçado da rodovia, diz Silvia.

Há vastas oportunidades de atuação neste mercado, porém, é importante entender a segmentação do mesmo, é fato que com um investimento baixo. Você consegue prestar serviços de mapeamento aéreo para pequenas áreas, porém, com essa mesma estrutura não é possível atuar em mapeamento aéreo de grande porte. Além disso, tem um fator determinante, a experiência da equipe para lidar com a alta complexidade deste tipo de projeto.

Em parceria com a MAPEAR – empresa que realizou este projeto, nós iremos realizar um webinar gratuíto no dia 04 de abril com o objetivo de conhecer as dificuldades reais deste tipo de projeto para que possamos conscientizar contratantes e contratados e assim desenvolver o mercado de forma saudável.

2 Comentários


  1. Ótima comparação com os dois equipamentos, ainda mais assim, elucidada com dois estudos de caso. Com uma diferença enorme de rendimento e produtividade. BATMAP ainda chegaremos lá.
    Parabéns a todos por este estudo de casos.

    Sds
    Ricardo Mauricio Contel
    Eng° Ambiental/Sanitarista
    Eng° de Segurança do Trabalho

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