Treinamento de uso do drone: cursos e práticas

Tempo de leitura: 5 minutos

Autora: Eng. Janice Ferreira da Silveira | Formada em Engenharia Hídrica na UFPel. Consultora Ambiental na Reference Agronegócios, empresa que atua no segmento do agronegócio trazendo soluções em topografia e engenharia, georreferenciamento, licenciamento ambiental, além de certificações em armazenagem de grãos e mapeamento aéreo. Possui mais de meio ano de experiência em fotogrametria com drones trabalhando com mapeamento aéreo, principalmente, de áreas rurais.

Hoje trago a vocês a segunda matéria da série “A experiência de quem está começando” contando como foi meu primeiro contato com um drone, começando pela abertura da caixa até o treinamento e tudo mais o que aconteceu durante esse período.

Como contei a vocês no primeiro artigo, conheci um drone através do curso de Engenharia Hídrica, da UFPel em Pelotas/RS.  E lá, mais precisamente no laboratório HidroSedi, no qual trabalhava, foi onde vi, no tão esperado dia da entrega do equipamento, uma enorme caixa de transporte laranja com pequenas rodinhas chegando empurrada pelo piloto da empresa fabricante. Ao abrir à caixa a surpresa: não vi nenhum avião… eram várias peças e componentes que deveriam ser montadas para então termos um avião. 

 

Não tinha a menor ideia de como o drone era montado ou do tipo de conteúdo que seria apresentado no treinamento. Para vocês terem uma idéia: eu pensava que os drones sobrevoavam a área de estudo gravando um vídeo e a partir desse tipo de mídia eram obtidos os produtos do levantamento…

Hora do treinamento

Com o avião já montado pelo técnico da empresa comecei a entender melhor o drone e conhecer seus mistérios: o coração do drone está na placa controladora de vôo que guia as ações durante o vôo autônomo. Seus pulmões são as baterias, seus olhos e ouvidos os sensores que controlam os parâmetros externos (vento, inclinação, orientação espacial, etc), seus braços são as asas e a fuselagem, as pernas a hélice e o cérebro.. somos nós! Além disso, é importante saber que através da comunicação entre todos estes componentes embarcados é possível o vôo autônomo e o envio de comandos remotamente e, muito importante: que os produtos obtidos em um aerolevantamento tem como fonte as fotografias tomadas pela câmera em coordenadas geográficas conhecidas (e não vídeos!).

De maneira resumida o treinamento contou com as etapas que vou detalhar a seguir:

  • Fotogrametria

Breve explicação da ciência fotogramétrica, ou seja, como a partir de fotografias é possível representar o terreno. Vocês podem conhecer mais sobre a ciência fotogramétrica através do curso oferecido pela Droneng: Fotogrametria com Drones.

  •  Planejamento de voo

Aqui fui familiarizada a alguns conceitos importantes como GSD (Ground Sample Distance), altura de voo, resolução da câmera e distância focal. Estes conceitos são abordados em mais detalhes na matéria Planejamento de Vôo: tudo o que você precisa saber publicada pelo Manoel em dezembro do ano passado.

Para de fato construir o plano de voo me foi apresentado software de planejamento de missões de voo MissionPlanner, que é totalmente gratuito e vocês podem baixá-lo neste link. É através dele que é programado o voo autônomo, são configuradas as ações do avião frente à eventuais panes, alterado o grau de sobreposição do imageamento.

Os pontos importantes aqui estão na construção da rota de voo observando a correta disposição e sequência dos waypoints, na influência do vento (faixas de voo perpendiculares ao vento e curvas de “frente” para o vento), assim como a velocidade de cruzeiro do drone e a velocidade do vento a campo. A sobreposição das imagens é outro ponto importante que varia conforme o objetivo: mosaicagem (gerar apenas o mosaico) ou altimetria (gerar o relevo do terreno), menor sobreposição e maior sobreposição, respectivamente. Vale salientar que quanto menor a intensidade do vento, mais estável o voo e consequentemente melhores serão os produtos finais!

  • Pontos de Controle

Para que os produtos finais estejam georreferenciados com precisão de centímetros é necessária a utilização de pontos de controle em solo e, além disso, pontos de conferência ou de check. Através dos dados dos pontos de controle as informações do GPS de baixa precisão que está embarcado no drone são calibradas. Já os pontos de check realizam a validação dos dados calibrados, ou seja, a veracidade e precisão das coordenadas geográficas do mapa gerado.

Para saber mais sobre pontos de controle acesse a matéria escrita pela Droneng que aborda detalhadamente este tema: Pontos de Controle: quando utilizar no mapeamento aéreo.

Processamento de Imagens

O processamento das imagens tomadas pelo drone deve ser feito em softwares específicos. Existem alguns específicos para imagens adquiridas a partir de drones. Conheci os softwares Pix4D, APS Menci, UAS Master e o Photoscan Agisoft. Não aprendi a processar imagens durante o treinamento, apenas algumas pinceladas sobre o funcionamento de cada um desses programas e também sobre o algoritmo SIFT que possibilitou a fotogrametria por drones. Nas próximas matérias pretendo falar sobre minha experiência com o processamento de imagens e alguns problemas que tive. Entretanto, para adiantar a vocês: um dos maiores empurrões que tive nesse aspecto foi o curso de processamento de imagens em vídeo aulas da Droneng.

E esse foi meu primeiro contato com um drone! Espero que tenham gostado da matéria. Comentem e contem como foi a experiência de vocês também, tirem a dúvidas… enfim estou à disposição!

Até a próxima e bons voos, pessoal.

Esse conteúdo foi enviado pelo autor através do projeto Blog Colaborativo. 

Você também está começando com drones? Quer ser colunista no nosso blog como a Janice? Participe do Projeto Blog Colaborativo! Clique na imagem para obter mais informações!

 

CALL-TO-ACTION-BLOG-COLABORATIVO

 

2 Comentários


  1. Em 5.2.16

    Colega Janice F. da Silveira

    boa boite.

    Favor informar, como pode ser calculado o o custo para mapeamento de áreas,com drones.
    Ex. área de 500 x 1000m, com coordenadas conhecidas.
    Mapeamento na escala 1:1.000 .
    Mapeamento em quadrícula orientada : N-S ; W-E .
    Área de Imóvel Rural.

    Atenciosamente.

    Arnaldo Araújo Mota
    Geólogo e Engº de Minas

    Responder

    1. Olá Arnaldo!
      Agradeço pelo interessante questionamento. A estimativa de custos de um mapeamento aéreo ainda é um ponto muito discutido, pois é muito variável de região para região, e além disso, as características da área a ser mapeada (dificuldade de acesso e operação, quantidade de pontos de controle, etc) e quais os produtos finais requisitados pelo cliente são os principais determinantes dessa conta.
      Para conseguir quantificar o custo da área de 50 hectares que você apresentou na pergunta temos de partir do seguinte: Qual produto meu cliente precisa obter? Qual o nível de detalhamento, ou seja, o GSD (Ground Sample Distance) necessário? Qual a distância entre a área e minha empresa? A região possui que tipo de relevo e vegetação?
      Sabendo isso podemos fazer a conta do nosso custo da seguinte maneira:

      Transporte + alimentação + hospedagem (caso seja muito distante e assim necessário pernoite);
      Horas de trabalho a campo + Horas de trabalho em escritório – Conforme as dificuldades encontradas em campo que citei anteriormente este custo irá oscilar. Caso você precise instalar muitos pontos de controle irá levar, provavelmente, mais que o dobro do tempo a campo se comparado a um levantamento para construir apenas mosaico da área. Da mesma maneira o tempo de processamento em escritório será um pouco maior pela inserção dos pontos de controle no terreno.
      Custo da utilização/manutenção do seu equipamento – aqui você deve levar em conta o valor do investimento do seu drone e inserir um percentual deste custo.
      Lucro – Este é outro fator bastante variável. Esta margem geralmente é muito particular a cada serviço onde podemos jogar para percentuais menor em serviços maiores e vice versa.

      Claro que é preciso levar em consideração o custo mínimo de operação. Por exemplo, se você levou em conta todos os quesitos que citei e chegou a conclusão de que não valeria a pena fazer o serviço: Aí partimos para o custo mínimo operacional, ou seja, para sair a campo em cidades no raio de x quilômetros com menos de x hectares a serem mapeados o custo mínimo é de R$1000,00, por exemplo.

      Arnaldo e demais, peço que comentem sobre este modo de custeio que fiz e que compartilhem também como vocês fazem ou fariam esta conta, se por ventura deixei passar algum outro fator a ser levado em conta. Fiquem à vontade para as críticas e sugestões.

      Grande abraço e bons vôos!

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *