Treinamento de uso do drone: cursos e práticas

Tempo de leitura: 6 minutos

Acompanhe mais um conteúdo do nosso blog corporativo. Hoje, o assunto tratado será o treinamento de uso do drone: cursos e práticas.

Autora: Eng. Janice Ferreira da Silveira | Formada em Engenharia Hídrica na UFPel. Consultora Ambiental na Reference Agronegócios, empresa que atua no segmento do agronegócio trazendo soluções em topografia e engenharia, georreferenciamento, licenciamento ambiental, além de certificações em armazenagem de grãos e mapeamento aéreo. Possui mais de meio ano de experiência em fotogrametria com drones trabalhando com mapeamento aéreo, principalmente, de áreas rurais.

Hoje trago a vocês a segunda matéria da série “A experiência de quem está começando” contando como foi meu primeiro contato com o uso do drone, começando pela abertura da caixa até o treinamento e tudo mais o que aconteceu durante esse período.

Como contei a vocês no primeiro artigo, conheci um drone através do curso de Engenharia Hídrica, da UFPel em Pelotas/RS.  E lá, mais precisamente no laboratório HidroSedi, no qual trabalhava, foi onde vi, no tão esperado dia da entrega do equipamento, uma enorme caixa de transporte laranja com pequenas rodinhas chegando empurrada pelo piloto da empresa fabricante. Ao abrir à caixa a surpresa: não vi nenhum avião… eram várias peças e componentes que deveriam ser montadas para então termos um avião. 

Não tinha a menor ideia de como o drone era montado ou do tipo de conteúdo que seria apresentado no treinamento. Para vocês terem uma ideia: eu pensava que os drones sobrevoavam a área de estudo gravando um vídeo e a partir desse tipo de mídia eram obtidos os produtos do levantamento…

Hora do treinamento

Com o avião já montado pelo técnico da empresa comecei a entender melhor o drone e conhecer seus mistérios: o coração do drone está na placa controladora de voo que guia as ações durante o voo autônomo. Seus pulmões são as baterias, seus olhos e ouvidos os sensores que controlam os parâmetros externos (vento, inclinação, orientação espacial, etc), seus braços são as asas e a fuselagem, as pernas a hélice e o cérebro.. somos nós!

Além disso, é importante saber que através da comunicação entre todos estes componentes embarcados é possível o voo autônomo e o envio de comandos remotamente e, muito importante: que os produtos obtidos em um aerolevantamento tem como fonte as fotografias tomadas pela câmera em coordenadas geográficas conhecidas (e não vídeos!).

De maneira resumida o treinamento contou com as etapas que vou detalhar a seguir:

  • Fotogrametria

Breve explicação da ciência fotogramétrica, ou seja, como a partir de fotografias é possível representar o terreno. Vocês podem conhecer mais sobre a ciência fotogramétrica através do curso oferecido pela Droneng: Fotogrametria com Drones.

  •  Planejamento de voo

Aqui fui familiarizada a alguns conceitos importantes como GSD (Ground Sample Distance), altura de voo, resolução da câmera e distância focal. Estes conceitos são abordados em mais detalhes na matéria Planejamento de Vôo: tudo o que você precisa saber publicada pelo Manoel em dezembro do ano passado.

Para de fato construir o plano de voo me foi apresentado software de planejamento de missões de voo MissionPlanner, que é totalmente gratuito e vocês podem baixá-lo neste link. É através dele que é programado o voo autônomo, são configuradas as ações do avião frente à eventuais panes, alterado o grau de sobreposição do imageamento.

Os pontos importantes aqui estão na construção da rota de voo observando a correta disposição e sequência dos waypoints, na influência do vento (faixas de voo perpendiculares ao vento e curvas de “frente” para o vento), assim como a velocidade de cruzeiro do drone e a velocidade do vento a campo. A sobreposição das imagens é outro ponto importante que varia conforme o objetivo: mosaicagem (gerar apenas o mosaico) ou altimetria (gerar o relevo do terreno), menor sobreposição e maior sobreposição, respectivamente. Vale salientar que quanto menor a intensidade do vento, mais estável o voo e consequentemente melhores serão os produtos finais!

  • Pontos de Controle

Para que os produtos finais estejam georreferenciados com precisão de centímetros é necessária a utilização de pontos de controle em solo e, além disso, pontos de conferência ou de check. Através dos dados dos pontos de controle as informações do GPS de baixa precisão que está embarcado no drone são calibradas. Já os pontos de check realizam a validação dos dados calibrados, ou seja, a veracidade e precisão das coordenadas geográficas do mapa gerado.

Para saber mais sobre pontos de controle acesse a matéria escrita pela Droneng que aborda detalhadamente este tema: Pontos de Controle: quando utilizar no mapeamento aéreo.

Processamento de Imagens

O processamento das imagens tomadas pelo drone deve ser feito em softwares específicos. Existem alguns específicos para imagens adquiridas a partir de drones.

Conheci os softwares Pix4D, APS Menci, UAS Master e o Agisoft. Não aprendi a processar imagens durante o treinamento, apenas algumas pinceladas sobre o funcionamento de cada um desses programas e também sobre o algoritmo SIFT que possibilitou a fotogrametria por drones. Nas próximas matérias pretendo falar sobre minha experiência com o processamento de imagens e alguns problemas que tive. Entretanto, para adiantar a vocês: um dos maiores empurrões que tive nesse aspecto foi o curso da Droneng.

E esse foi meu primeiro contato com um drone! Espero que tenham gostado da matéria. Comentem e contem como foi a experiência de vocês também, tirem as dúvidas… enfim estou à disposição!

Até a próxima e bons voos, pessoal.

Esse conteúdo foi enviado pelo autor através do projeto Blog Colaborativo. 

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