Buracos no Ortofotomosaico: como evitar?

Tempo de leitura: 5 minutos

Leia essa matéria para saber quais as principais causas de buracos e falhas no ortofotomosaico e como evitá-las, gerando assim um produto cartográfico de qualidade.

BURACOS NO ORTOFOTOMOSAICO

Apesar de muito utilizado, o software Google Earth utiliza imagens de satélite que estão contaminadas de erros e distorções inerentes ao processo de captura.

Por outro lado, um ortofotomosaico é composto por várias ortofotos unidas, que dão origem a uma única foto. Como toda ortofoto passa por um processo chamado ortorretificação, no qual todas as deformações são corrigidas, logo o ortofotomosaico originado destas também possui estas características.

Sabemos que os ortofotomosaicos são um dos produtos cartográficos mais solicitados quando falamos da aerofotogrametria.

Afinal, por que ele é tão importante?

Ele é extremamente importante porque através dele é possível extrair informações geométricas planas de qualquer natureza como:

  • Distâncias,
  • Áreas,
  • Ângulos,
  • Perímetros,
  • Coordenadas por toda a área abrangida.

No entanto, no momento da geração desse produto, não é incomum que ocorram “buracos” e falhas na imagem.

Mas, o que são esses “buracos” no ortomosaico?

Esses “buracos” podem surgir durante o processamento da geração do ortomosaico. Eles são falhas que normalmente ocorrem pois o software não conseguiu encontrar pontos coincidentes nas imagens geradas da área mapeada, assim o processo de amarração desses pontos não é totalmente feito com boa qualidade, ocasionando essa espécie de “buracos” no produto. 

Por que isso ocorre e como você pode evitar essa situação desagradável?

COMO EVITAR?

Primeiro, é necessário entender os conceitos de sobreposição lateral e sobreposição longitudinal no momento de captura das imagens, pois estas constituem o princípio básico para geração de ortofotos.

Quando falamos em sobreposição longitudinal trata-se de criar uma área em comum (geralmente definida em porcentagem) entre duas fotos adjacentes, no sentido da linha de voo planejada.

Já a sobreposição lateral é quando há área em comum nas fotos tiradas em linhas de voo paralelas. Observe as fotos a seguir para compreender melhor o que foi escrito.

Como mostrado nas imagens acima, o mínimo exigido de sobreposição na fotogrametria é de 60% na sobreposição longitudinal (entre imagens) e 30% na sobreposição lateral (entre faixas).

Porém, no mapeamento aéreo com Drones é necessário analisar a área de interesse que será efetuado o voo. Para áreas rurais os índices de sobreposição indicada para a sobreposição longitudinal é de 80% e lateral 60%. Já para áreas urbanas os índices indicados para a sobreposição longitudinal é de 80% e lateral também 80%. Para que assim, os produtos de interesses sejam gerados com boa qualidade.

A correta sobreposição entre as imagens capturadas aliadas à altura de voo ideal para cada terreno, garantem a geração de um ortofotomosaico de qualidade para o cliente.

O objetivo é encontrar nas fotos o que denominamos como “pontos homólogos”, ou seja, pontos que aparecem em mais de uma fotografia, capturados de diferentes perspectivas.

Através deles, o software de processamento consegue realizar a “junção” dessas imagens lado a lado e alinhá-las, gerando assim, após algumas etapas, o ortofotomosaico.

A detecção desses pontos pelo programa é feita através de semelhança entre regiões específicas das fotos, exatamente onde ocorrem as sobreposições.

E o que acontece quando o software não consegue encontrar esses pontos semelhantes? As fotos nessa região não são alinhadas e é aí que os problemas começam!

Os famosos buracos aparecem e deixam qualquer profissional frustrado. Esse problema ocorre geralmente em regiões muito homogêneas como:

  1. Matas densas,
  2. Grandes extensões de areia/terra,
  3. Monoculturas (soja, cana de açúcar, eucalipto),
  4. Grandes corpos d’água.

Devido a grande semelhança de praticamente todos os pontos nessas áreas o programa se confunde e não consegue encontrar os pontos homólogos, prejudicando a geração do modelo digital de elevação e consequentemente o ortofotomosaico.

Infelizmente, não há uma solução definitiva para esse problema, visto que se trata de uma limitação do algoritmo do software em si.

Há algumas opções que podem ser tomadas para tentar corrigir o problema, mas são limitadas. A melhor alternativa é a prevenção, ou seja, evitar que isso ocorra já no momento de captura das imagens.

Como é muito comum que partes do terreno mapeado contenham uma ou mais dessas áreas homogêneas, recomenda-se que os voos sejam feitos com maior altura e maior porcentagem de sobreposição entre as fotos.

Com a altura mais elevada, os objetos são capturados com uma resolução menor (menos detalhados) e aumentando a sobreposição entre as imagens, mais informações são adquiridas.

Esses dois fatores em conjunto contribuem no sentido de facilitar o software de processamento a encontrar os pontos homólogos, evitando buracos no modelo, gerando assim produtos de qualidade da área mapeada.

É POSSÍVEL RETIRAR TODOS OS BURACOS?

Mesmo tomando os devidos cuidados antes do voo, não é garantido que os buracos serão totalmente eliminados.

É necessário entender que, como toda tecnologia, existem limitações no seu uso. Portanto, é fundamental uma análise adequada da área de estudo para entender se é possível o uso de drones para mapeá-la com a devida qualidade.

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2 Comentários


  1. Excelente texto, bem explicativo parabéns a todos da Droneng.
    Já tenho a experiência de voos e processamento, devido a minha região ser de mata densa (floresta amazônica) uma das alternativas que encontrei para CERTAS regiões foi aumentar a altura de voo e sobreposição entre as fotografias, consequentemente o GSD aumenta e para algumas atividades isso é um complicador.

    Responder

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