O que tem sido falado sobre drones na área florestal?

Tempo de leitura: 5 minutos

Autor: Maximiliano Roncoletta | Engenheiro florestal formado pela Universidade Federal de Lavras- MG, Mestre em Administração e Finanças no Agronegócio pelo PECEGE/USP. Fundador da RoncoFlorestal – Roncoletta e Proença Negócios Sustentáveis. Possui experiência de 20 anos de atuação na área de sustentabilidade, com forte atuação na área florestal, agropecuária, ambiental, responsabilidade social, resolução de conflitos, gestão de projetos complexos e inovadores, com atuação direta em processos sustentáveis de produção.

Parte I:

Na Droneshow de 2016 circulei muito entre os estandes da feira, frequentei assiduamente as salas de curso e de debate tentando entender um pouco mais sobre a tecnologia de Drones e VANTs e relacioná-las ao que eu podia utilizar na minha área, que é florestal e ambiental.

Conheci profissionais interessados na tecnologia para monitorar os mais diferentes empreendimentos, linhas de transmissão, barragens, estradas, mineradoras, fazendas, empreendimentos imobiliários, uma diversidade que me mostrou a  versatilidade da tecnologia. Também pude interagir com muita gente competente na área de filmagens e geração de imagens com Drones.

Fiquei encantado com a tecnologia embarcada nas aeronaves, e me espantei com a quantidade de programadores interessados em entender a telemetria e a comunicação entre piloto e aeronave, fiquei satisfeito com a interação ANAC e interessados, conheci a diversidade que o mundo dos VANTs e Drones possuem.

Mas não encontrei nenhum colega com resultados do uso de vants em projetos florestais. Foi uma surpresa foi ver que o meu perfil, florestal e ambiental com foco na sustentabilidade, era uma minoria no evento. Para não dizer que não vi nada relacionado a florestas, eu encontrei apenas profissionais vinculados a empresas do setor de papel e celulose que estava no evento para saber o que eram drones e Vants e do que eles eram capazes de fazer.  Interessante que estes colegas, expuseram sempre positivamente quando eu perguntava se tinham interesse em usar os Drones.

Mas quando eu indagava este pequeno povo da área florestal, em como queriam usar a tecnologia, pairava sempre dúvidas no ar, como: o que fazer com o Drone em uma floresta? Que tipo de equipamento usar? O que eu vou fazer com os dados gerados? Não consegui extrair nas minhas interações na Feira como os colegas da área florestal pretendiam integrar estes dados coletados com Drones ao planejamento florestal,e também não consegui ver como meus pares pretendiam mensurar o custos e o benefício da tecnologia num projeto florestal.

Ou seja, VANTs, Drones são a novidade mais recente no setor florestal. E ainda causam espanto. E portanto temos que ser cuidadosos para não criar aqui um mito. Coisa super comum na área florestal.

Muito ainda precisa a avançar para usarmos Drones e VANTs em florestas plantadas ou nativas. Inovar não é fácil na área florestal. O setor florestal como o agropecuário por si só não são considerados setor inovadores, a difusão de tecnologias ainda segue rotinas e preceitos criados na extensão rural, que norteiam sempre a demonstração de resultados como forma de estimular o produtor florestal adotar tecnologias inovadoras.

Portanto, para Drones e VANTs possam se tornar comum em florestas manejadas pelo Brasil à fora é fundamental a demonstração de resultados práticos do uso de Drones em florestas.

Atuando há 20 anos no mercado florestal e posso afirmar que o atributo custo é intensamente utilizados por gestores do ramo florestal para tomarem decisões, logo temos que tornar o suo da tecnologia acessível, com preços moderados e que atraiam os gestores de florestas.

Eu acredito que onde a tecnologia deverá surpreender-nos do ponto de vista dos negócios será exatamente nisto, coletar e analisar dados com custo menor por hectare de área. Olhar a floresta de cima, gerar dados e processa-los, produzir mapas para tomada de decisão deverão ter um custo menor que o cobrado hoje no mercado. Provavelmente, os processos serão feitos sob demanda do cliente, após a coleta de dados.

Mas, para isto acontecer vamos ter que passar a fase da popularização da tecnologia no setor florestal, na minha opinião deverá levar uns 5 ou 6 anos ainda, acredito que em 2020 ou 2021 teremos pacotes de soluções com drones e VANTs direcionadas para o setor florestal.

Colegas do setor florestal, temos um desafio à frente, temos que testar e aplicar os drones. Listo algumas atividades no manejo florestal que os drones e VANTs só nos trarão resultados positivos como: para planejar e construir estradas, selecionar locais para construção de pontes em florestas nativas, definir e criar áreas de conservação, proteger nascentes, projetar talhões, monitorar e controlar incêndios, fiscalizar crimes ambientais, monitorar colheita, acompanhar fauna com câmeras infravermelhas, monitorar pragas e doenças, identificar e mapear zonas de conflito, avaliar desenvolvimento de plantações, fomentar ações de educação ambiental  são algumas aplicações que poderão ser potencializadas com uso da tecnologia.

Fazendo uma autoanálise, o meu maior desafio para adotar os drones e VANTs, e que acredito deva ser dos meus colegas gestores florestais, é que apenas nós vamos precisar conhecer e aprender sobre o que a tecnologia e adaptá-la para uso em florestas. Quando o GPS chegou no Brasil no anos de 1996, aconteceu o mesmo que vem acontecendo agora com os drones, uma resistência inicial em se conhecer a tecnologia, uma aversão ao risco de se investir e testar, houve uma chuva de criticas negativas. Mas depois dos pioneiros desbravarem a tecnologia GPS, não floresta manejada no Brasil sem GPS, e o mesmo vai acontecer com os drones.

Reconheço que há poucas referências ainda de como os drones podem ser usados no o setor florestal e de conservação da natureza, vou a cada oportunidade apresentar alguns.

  • Portal que traz muita informação e conteúdo de projetos e iniciativas que usam drones para conservação dos recursos naturais: http://conservationdrones.org/
  • É um blog que sempre traz a inovação do GIS na área florestal, destaque para a listagem de softwares que o blog sistematiza e podem ajudar em projetos florestais com drones: http://www.forest-gis.com/

 

 

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Esse conteúdo foi enviado pelo autor através do projeto Blog Colaborativo

4 Comentários


  1. Muito interessante Manoel, é um fato que é difícil mudar o penssamento dos jéfes e gerentes neste setor, o custo beneficio deve ser muito grande para termos boas possibilidades de entrar neste setor o qual trabalho.-
    abraco
    Javier

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  2. Parabéns pelo artigo Maximiliano! O setor florestal certamente ainda tem muitas facetas a serem exploradas. Eu e meus colegas devemos iniciar alguns trabalhos com áreas florestadas, inicialmente, apenas para medição de área plantada e, posteriormente testar algumas análises mais aprofundadas.
    Um dos receios que tenho é perda de telemetria do com o vant em função do bloqueio do sinal pela árvores. Ainda que sejam utilizadas bases fora da área plantada pode ser necessário voar de dentro dessas áreas a partir de uma clareira, porém como manter a telemetria? Você já enfrentou algum problema em relação a isso? Qual o range do seu vant? Ele é de asa fixa?

    Grande abraço e bons vôos!

    Atenciosamente,

    Janice Ferreira da Silveira.

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  3. Maximiliano, vale lembrar que a Eldorado Brasil, empresa do ramo de celulose, além de ter sido pioneira entre as empresas florestais no uso de VANTs, têm dado continuidade e ampla importância na aplicação dos VANTs para o mapeamento e cadastro florestal.

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  4. Prezados,

    Bom dia,

    O setor florestal tem atraído a nossa atenção nos últimos tempos.

    A Senva Sensoriamento Remoto implantará em breve um grande projeto de utilização de VANTs e florestas de eucalipto.

    No caso em questão, serão utilizados dois VANTs com autonomia de 8 horas e embarcados com mais de 4 sensores.

    Em breve divulgaremos um rico material com informações dos VANTs utilizados e da experiência obtida.

    Caio Saldanha
    senva.drone@gmail.com
    http://www.senva.com.br

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